Autora: Tine Mortier
Ilustradora: Kaatje Vermeire
Páginas: 32
Formato: 32 x 23 cm
Editora: Pulo do Gato

 

A imagem na capa acolhe o leitor em um abraço manso, um estampado papel de presente. Uma leitura romântica da infância. Dentre os galhos da árvore, temos agora a parte inferior do corpo da menina, acompanhada. Talvez a vovó? É também estampado o vestido da senhora, adulto, em negro e cinza. Ah… usa delicada sapatilha xadrez cor de rosa. As pernas de ambas cruzam os pés, há entre elas, é certo, muita harmonia. O texto ainda não diz, mas a ilustração antecipa. E Mari nasce em letras, para o leitor: “… em uma cadeira de palha, debaixo de uma cerejeira. (…) Foi algo como quando você está com muita vontade de fazer xixi e pensa: ‘eu ainda posso segurar mais um pouquinho’. Consegue me segurar mais um pouquinho, é? Isso é o que você pensa! De paciência, Mari não tem nem um tiquinho”. (p.7)
A continuidade narrativa nos traz os esperneios de Mari. Sim, romantismo, infância, cumplicidade e peripécias. E uma “grande coisa” centralizando a experiência emocional mais dolorosa da vida, na vida da pequena. Que rompe com as normas, em um hospital, ao empurrar a avó, intrepidamente, numa cadeira de rodas.
As cores, traços e técnicas de Kaatje Vermeire dialogam e explodem arte abraçada ao texto de Tine Mortier, revelando por que a ilustradora é tão premiada e por que esse enredo nos conquista cada vez mais para as letras, a leitura, a trama, a poesia. Há páginas enlutadas, que pesam em cor. Outras captam Mari rompendo com as normas e revelam quão insípido é um hospital, o quanto o amor e a ternura podem ser coisas coloridas. Para se conhecer Mari e, por meio da arte, as grandes coisas da vida.