Em março de 2012, um prêmio Hans Christian Andersen era outorgado para uma escritora argentina – por seu brilhantismo – cuja obra já contava com uma grande repercussão na literatura infantil sul americana. Seus livros tratam de problemas universais – exílios, desencontros, amores, solidões – tudo com olhos de esperança. Seus contos se passam tanto perto de Córdoba, sua terra natal, como nos confins da China milenar. No ponto médio – Buenos Aires –onde se realizou esta entrevista.

María Teresa nasceu em Arroyo Cabral, uma pequena cidade perto de Córdoba, na Argentina, no verão de 1954. Filha de imigrantes piemonteses, passou sua infância em Oliva, para estudar literatura na renomada Córdoba. Sua vida seguiu cercada pelas serras da província cordobesa, onde convive com todos os tipos de animais e plantas, em uma espécie de granja literária.

Em 1983, se une ao CEDILIJ, um centro de pesquisa em literatura infantil e juvenil de Córdoba, onde começa a realizar trabalhos de crítica, ensaio, formação de professores, direção de coleções e de revistas especializadas. O passo seguinte: escrever para crianças e jovens, o que inicia na década de 1990. Reuniu em dois livros, feitos em colaboração, sua experiência docente em oficinas de escrita La escritura en el taller (Anaya, 2008) e El taller de la escritura en la escuela (Comunicarte, 2010); suas reflexões sobre o ofício de escrever estão em Por uma literatura sem adjetivos (Editora Pulo do Gato, 2012). Escreve para adultos, para crianças e para todos os amantes da boa literatura que apreciam o cuidado com o universo dos sentimentos de suas personagens, majoritariamente femininas. O amor está presente em muitas de suas obras, um amor à vida, seja ela dura ou muito dura. Seu site é bastante pessoal e com presentes em forma de textos inéditos, segue-se a isso o blog de narradores de que é moderadora. O prêmio Andersen 2012 revela o reconhecimento mundial à escritora mais cordobesa da literatura infantil.

Javier Flor RebanalSeus contos não começam com você, vêm de seus ancestrais.

María Teresa Andruetto – Sim, pelo menos uma boa parte deles. Nunca me perguntaram isso, mas sim; falo de minha avó, do meu pai, das amigas de minha avó, de minha bisavó – Elisabeta – que aparece em um poema… Antes mesmo de ser escritora, sempre me senti muito viva, como parte da genealogia das mulheres da minha família. Embora se tratasse de mulheres comuns, por assim dizer, para quem escreve, e para a vida real, ninguém é comum. Toda pessoa é um infinito, e se olhamos com profundidade, cada um de nós tem um mundo. Me parece que esse é um segredo da escrita. E no caso das gerações de mulheres de que venho, a imagem que tenho é de que são fortes. Elas não eram intelectuais; minha avó Felicitas fazia colchões, sustentava sua casa fazendo colchões, quando eles ainda eram de lã. Elisabeta era porteira na Itália e depois foi cozinheira e vivia de fazenda em fazenda, fazendo comida para os peões.

Essa era a parte da família de minha mãe; mesmo com toda rudeza, com a dureza de suas vidas e a pobreza, minhas avós amavam os livros. Amavam ler. Ainda que os livros que tinham em casa fossem cinco ou seis, como a vida dos santos, elas ensinavam as crianças a ler. Mais tarde, minha mãe, que não se formou professora, mas exerceu a profissão, vivia nesse povoado onde não existia o ensino médio, ensinando muitas crianças pobres a ler, crianças mais pobres que eles, que já eram pobres. Colocaram minha mãe para cuidar das crianças e ela, que tem 83 anos, ensinou-as a ler e ainda há pessoas que a reconhecem como professora.

JF  Há muitos livros italianos em sua formação?

MTA – Sim, Pinóquio, Cuore estavam em nossas vidas desde sempre. Também Stevenson, Salgari, Heidi, A cabana do pai Tomás, Robin Hood, o que se lia nessa época. Eram livros que estavam em minha casa. Mas lia muito fora de casa também. Quando era muito pequena, lia enciclopédias, muitos livros informativos, livros que minha mãe lia. Por exemplo: quando era muito pequena, li a poesia de Tagore, que era uma leitura de certas mulheres da época, não era leitura para uma criança.

JFEscrever veio espontaneamente?

MTA – Criar veio espontaneamente. Lia muito desde criança, mas não de uma maneira hierárquica: lia de enciclopédia até revistas de crimes, de fotonovela até Stevenson. Gostava de estar nesses mundos. Em certo momento, me mudaram de escola. Eu era muito complexada, tímida, insegura. E via na leitura uma maneira de me enturmar com minhas novas companheiras; então, um dia, comecei a contar algumas histórias que criava com minhas leituras. Comecei a ler mitos, pequenas passagens das histórias grega e romana e contava a elas essas histórias como sendo minhas. Isso foi o primeiro passo.

Mal sabia que isso se relacionava com escrever. Muitos anos depois, me perguntaram como tinha começado e me lembrei disso que me aconteceu durante um bom tempo. Acredito que esse tenha sido o começo, mas não da escrita propriamente, senão do ato de ler para fabular. Depois, quando era adolescente, descobri a literatura argentina; aí comecei a ler sabendo que lia literatura. Mais tarde, na universidade, li com contexto, imersa em mapas e percebi que um livro não está sozinho em relação a outros livros, a uma constelação de livros em uma determinada literatura. Depois, me chegou a literatura infantil pós-ditadura militar, entre 1983/1984 e lia religiosamente os livros para crianças. Com o fim da ditadura, me reuni com um grupo de pessoas e montamos a CEDILIJ – Centro de difusión e investigación de la literatura infantil y juvenil -, em Córdoba. E tudo coincidiu: fim da ditadura, início da CEDILIJ e minha maternidade.

JF – Suas histórias orientais ou da Idade Média vêm de seus anos adolescentes? Por que essa paixão pelo oriente?

MTA – Não sei. Existe algo do contar ancestral que vem de geração em geração. Há uma nota de rodapé em um conto de Borges que se chama “O homem no limite” que diz que “a história aconteceu – supõe-se – em Boedo – estou inventando, localizei-a na China para voltar…”. São recursos; não conheço a China, não sei como vivem os chineses. Claro, li de tudo, poesia chinesa, contos sufi, contos zen. Sempre gostei muito da literatura popular de todos os tempos. E da poesia popular; por exemplo, adoro o Romanceiro espanhol: “O que por maio era por maio”… creio que sei essa frase desde os oito anos. E continuo gostando. Tinha muita fascinação pelas palavras, pela musicalidade, pelo ritmo, pelos significados. Tinha muito desejo de saber o que não entendia, não tanto pelos lugares que não conhecia como pela condição humana, o que sempre me atraiu.

JFVocê chegou ao mundo da literatura infantil por ser professora, por se encontrar com pessoas que procuravam as mesmas coisas?

MTA – Na verdade, cheguei por acaso, porque via que os anos da ditadura tinham sido muito fortes para mim, mas nunca esteve no meu horizonte o interesse pela literatura para crianças. Em 1983, quase no fim da ditadura, consegui umas aulas, quando reencontrei uma de minhas professoras da universidade que me achava boa aluna e me perguntou o que eu estava fazendo; respondi que procurava emprego. E ela me disse que havia umas mulheres montando um centro de literatura para crianças e me deu um número para ligar. Liguei. E fui à uma reunião naquela mesma tarde e saí dela membro da CEDILIJ.

Aí comecei a ler livros para crianças. Foi ao mesmo tempo trabalho e paixão, a formação de leitores, mas não estava relacionado à escrita. Escrevia para adultos e não publicava, escrevia para mim. O primeiro livro que escrevi para crianças foi Campeón, cuja edição anterior se chamava Dale campeón, que enviei a um concurso promovido pela editora Colihue, em 1988. Decidi escrever para o concurso um episódio sobre meu vilarejo. Um episódio real, com humor e com traços muito marcados, como uma paródia, mas a base era real. Escrevi essa história como um conto para adultos e, lendo depois, mudei algumas palavras, abrandei algumas palavras.

JFO mundo rural está muito presente em sua literatura. Percebe-se uma dicotomia campo-cidade em muitas de suas histórias.

MTA – Sim, porque isso faz parte da minha vida. Não busco os temas. O que busco são questões formais. Os desafios que me ponho na hora de escrever estão relacionados à forma, ao como contar essa história a partir desse personagem, como contá-la de trás para frente, como contá-la com dois narradores, esse tipo de coisa. O mundo que aparece são as coisas que me impactam porque se relacionam com meus interesses, com minha vida, são sempre mais ou menos as mesmas. Em quase todos os escritores, a dicotomia campo-cidade, viagens, o amor, a falta de amor, a necessidade de amor, o social estão presentes. De uns anos para cá percebo como tive sorte: tive um arco de experiências econômicas, sociais e culturais bastante amplo; tive épocas em minha vida em que fui muito pobre, que passei muita necessidade. Conheço o mundo do trabalho pesado para garantir a comida do dia. Estive desempregada durante um tempo considerável e tive que viver à margem. Fui criada em uma casa de classe média onde não faltavam comida e livros, mas vivíamos em uma comunidade com gente que passava muita necessidade, nós mesmos, às vezes, necessitávamos de algumas coisas, mas as outras pessoas precisavam de muito mais que nós. Ainda hoje tenho em meu círculo de relações – relações verdadeiras – pessoas que vivem de uma maneira muito diferente da minha. Porque são amigos de outras épocas que fui conservando. Há vozes, há conversas, há um jeito que me invade e que, ao longo do tempo, constituiu uma riqueza, de modo que nem me dei conta.

JFÉ daí que sai a sua defesa dos mais necessitados, a defesa da mulher.

MTA – Tem algo disso que sai daí, sim, porque também estive nesse lugar muitas vezes. E se escreve com o que se viveu, com o que se passou.

JFSuas personagens não são perdedoras nem bem-sucedidas.

MTA – Sim, exatamente. Minhas personagens são pessoas que se esforçam por uma vida melhor, mas não conseguem. É um pouco do que aconteceu comigo muitas vezes. A relação com o marginal, com o que está na borda, aparece em minha escrita. E a mim me interessa muito a borda, os marginais – da sociedade, da escrita, dos gêneros – mas não para ficar aí. Nunca fui uma escritora que gostasse de ficar na marginalidade, a não ser para levá-la ao centro, a um lugar em que outros lessem, onde outros vissem essas vidas.

JFOutro tema frequente em seus contos é o amor.

MTA – Sim, muito. A procura do amor, a necessidade do amor, a falta de amor e os caminhos tão estranhos pelos quais o buscamos ou encontramos. El árbol de lilas, que é, talvez, o mais temático de todos, foi escrito em um momento de amor muito forte. Escrevi quando me reencontrei com Alberto, meu companheiro há 22 anos, mas que conheci quando nós dois éramos pequenos, em minha comunidade. Ele foi preso, exilado e voltou à Argentina. E, quando voltou, em janeiro de 1990, nos vimos, começamos nossa relação e escrevi esse livro, no calor dos sentimentos. Nesse livro, há uma busca mais clara. Mas, às vezes, as mulheres dos meus livros buscam o amor por uns caminhos mais escuros, muito tortuosos. Às vezes é o amor social, como em Trenes, em que o amor é para os pequeninos. Solgo tem a ver com um amor aos outros, que não é a busca pelo par, mas é o amor às pessoas, como uma entrega amorosa. La durmiente também tem esse amor dedicado aos outros, sem olhar, a falta de amor dos outros.

JFVocê comentou que começou a escrever para crianças sem pensar. Mas agora, há livros seus para os menores, aqueles que começam a ler, e as novelas juvenis. Você planeja escrever para determinada faixa etária?

MTA – Não. Cada vez é diferente porque tem a ver com o momento da escrita. Quase tudo o que escrevi fiz sem estabelecer a maior diferença entre o que escrevo para adultos ou para crianças. E aí entra também o que seria juvenil ou adulto. Para mim não há diferença entre Stefano e Lengua madre, ou A menina, o coração e a casa (Editora Global) e El anillo encantado.

JFJá que falou de Stefano: de uma edição a outra, temos um mundo. Você teve problemas com a edição espanhola?

MTA – Não, não tive problemas porque não mexemos em nada. Se não me engano, trocamos, de comum acordo, duas palavras, para que não soasse muito argentino. Não opinei sobre a capa – eles criaram – mas não me parece que esteja ruim. Sim, cuidei para que o texto fosse ipsis literis. Não tive problemas. Há muitos anos, houve a possibilidade de editar Stefano, que não aconteceu porque me pediram um ajuste de texto. Porque, nesse sentido, sou muito cuidadosa e exigente. Assim como sou bastante acessível às pessoas, sou muito exigente com o que faço. Nesse caso, não foi um capricho, mas não poderia aceitar certas palavras que não são de meu uso para que o livro saia em outro lugar que fala castelhano.

JFComo você escreve um livro? Como se dá seu processo criativo? Você faz muitas correções?

MTA – Sim, faço muitas correções. Corrijo muitíssimo, até porque ajudar os outros a corrigir seus livros foi meu ganha pão durante anos. Vivi disso antes de ganhar direitos autorais e mesmo depois que os ganhei. Fico com a história na cabeça muitos anos ou por um tempo. Depois, se for um conto, faço, de uma vez, um rascunho  e depois vou corrigindo infinitamente. Se é uma novela, escrevo um pouco, depois volto, escrevo, procuro bem o tom, até que esteja no ponto; depois disso, avanço outro pouquinho. Aí, a história vai se abrindo para mim à medida que vou avançando. Não chego ao final sem corrigir as novelas; os contos, sim.

JFFale sobre concisão. Suas frases e diálogos não são muito grandes…

MTA – Sim. Trabalho a concisão. No diálogo, só escrevo o indispensável. As personagens nunca falam só por falar. Muita concisão, muita revisão, muito descanso no meio, muitas voltas ao texto. Não tenho muito problema com isso. E nunca – jamais – nem agora, nem antes, nem nunca, trabalho com datas de entrega, nunca, jamais.

JFA sensação que seus livros passam é de que são de muita gente. Você os escreveu, mas que há muitos antes e muitos depois.

MTA – Pode ser, porque ouço muito, sou boa ouvinte. Sabe o que acontece? As histórias estão no ar, na vida. O que uma pessoa faz pode ser traduzido em literatura, em escrita. Me interessa na escrita a possibilidade de se relacionar com quem fala, porque a fala, o coloquial, o que está no ar, que é o que vem até a gente, está em um lugar mais instável, mais difícil e mais arriscado da língua. Isso é muito interessante para a escrita, e, para isso, é importante apurar muito o ouvido.

JFComo você vê a literatura na Argentina? E nos países de língua espanhola?

MTA – Na Argentina, universo que mais conheço, existe uma produção imensa. Muita dessa produção não está à altura da qualidade literária que se pretende. Mas há uma relação quantidade/qualidade que não é a melhor. Falta muito para crescer. Há um aumento da qualidade da edição que é muito importante, melhorou bastante a qualidade da edição dos livros. Melhorou também o trabalho dos ilustradores. Mas quem deve se perguntar pela riqueza dos textos que escrevemos é o escritor. Diria que devemos fortalecer os canais entre as ricas tradições da literatura argentina, que é muito potente, e a literatura para crianças na Argentina.

Tenho a impressão de que há uma zona importante dessa literatura para crianças que não se alimenta dessa grande tradição da literatura argentina. Escrevi algo sobre isso em “Algunas reflexiones em torno al canon”. Para mim, todo escritor se posiciona em um lugar em relação à tradição ou à ruptura. E um escritor de literatura para crianças, onde fica? Na literatura para crianças na Argentina, na literatura argentina, na literatura universal, ou na literatura universal para crianças, etc.

Me parece que há que jogar com essas tensões para que os livros sejam o objeto que tanto queremos – literatura – sem o rótulo “para crianças”. Assim, me parece que há um desafio para crescer. E o que é qualidade – de edição e de ilustração – às vezes também pode ser um engano, no sentido de que, às vezes, existem certos livros que se sustentam pela forma, o formato, a ilustração, e não têm uma escrita que está à altura disso tudo. À primeira vista, o leitor pode se enganar com relação a isso; é necessário saber viver a escrita para crianças, creio, como escrita e enriquecê-la com a potente tradição literária de todas as ordens.

JFTalvez o que falte na Argentina seja crítica.

MTA – Claro. Falei muito sobre isso. Falta passar uma peneira pela qual certos livros sejam visíveis. Isso não coloca todos no mesmo padrão. É fato que a literatura cresceu em certos espaços de estudo; aí se dá o avanço da crítica e da pesquisa. Mas não há muita crítica em jornais, em revistas, e o campo também é restrito; além disso, ninguém quer falar mal de um livro ou de autores, sejam eles conhecidos ou desconhecidos. Então, não há indicação de livros e, às vezes, aparecem dez livros de um mesmo escritor, o que torna difícil diferenciar uns dos outros. Essa indistinção é o que não poderia – decididamente – ser considerado literário. O que é considerado literário – no sentido da riqueza da linguagem – se descola do uniforme, é visto como único e como memorável, como inesquecível.

JFE com o prêmio Andersen, você se considera a Escritora Argentina para Crianças?

MTA – Espero muito crescimento para a literatura argentina. Desde que comecei a trabalhar na área, houve muito trabalho das diferentes gerações, no que se refere à escrita, à formação de leitores e à chegada do livro na escola. Quando penso de 1984 em diante, vejo todo esse caminho, com seus altos e baixos, seus momentos mais luminosos e mais escuros, mas o certo é que hoje o livro entrou na escola em larga escala. Isso era praticamente impensável em 1984.

JF– A partir desse marco, você passou a conceder uma infinidade de entrevistas…

MTA – Sim, dei muitas entrevistas. As perguntas também te fazem pensar sobre certas questões. Isso tem sido um ponto importante para mim. Sempre fui uma escritora que, além de escrever minhas ficções, me interesso em pensar sobre o fazer, o ofício.

JF – Um ofício sobre o qual voltaremos a lhe perguntar. Muito obrigado, María Teresa.

Obras de María Teresa em português:

  •  A menina, o coração e a casa. São Paulo: Global, 2012.

  • Por uma literatura sem adjetivos. São Paulo: Pulo do Gato, 2012.

  • Stefano. São Paulo: Global, no prelo.

Obras de María Teresa em espanhol:

  • El Anillo Encantado. Buenos Aires: Sudamericana, 1993.
  • Misterio en la Patagonia. Buenos Aires: Libros del Quirquincho, 1993.
  • Stefano. Buenos Aires: Sudamericana.
  • Fefa es así. Buenos Aires: Altea, 1999.
  • Huellas en la Arena. Buenos Aires: Sudamericana, 2000.
  • Dale Campeón!. Córdoba: Sicornio, 2000.
  • La Mujer Vampiro. Buenos Aires: Sudamericana, 2001.
  • El País de Juan. Madrid: Anaya, 2003.
  • Benjamino. Buenos Aires: Sudamericana, 2003.
  • Solgo. Buenos Aires: E.D.B, 2004.
  • El Caballo De Chuang Tzu. Buenos Aires: Ediciones del Eclipse, 2004.
  • Veladuras. Buenos Aires: Norma, 2005.
  • El Árbol de Lilas. Córdoba: Comunicarte, 2006.
  • Trenes. Buenos Aires: Alfaguara, 2007.
  • Agua Cero. Comunicarte: Córdoba, 2007.
  • El Incendio. Buenos Aires: Ediciones del Eclipse, 2008.
  • La Durmiente. Buenos Aires:, 2010 Alfaguara.
  • Miniaturas. Buenos Aires: MacMillan, 2011.
  • La niña, el corazón y la casa. Buenos Aires: Sudamericana, 2011.
  • Zapatero pequeñito. Córdoba: Comunicarte, 2012.

* Entrevista originalmente publicada na revista Peonza, em dezembro de 2012.


TRADUÇÃO THAIS ALBIERI