Autor e Ilustrador: Peter Sís
Páginas: 56
Formato:30 x 22,8 cm
Editora: Companhia das Letrinhas

 

Com a chegada de O muro – crescendo atrás da Cortina de Ferro às livrarias brasileiras no final de 2012, ano em que Peter Sís venceu o Prêmio Hans Christian Andersen por seu trabalho como ilustrador, ficou ainda mais fácil entender os méritos da premiação. Conhecido no Brasil, até então, por seus livros O mensageiro das estrelas: Galileu Galilei (Ática, 2000) e A árvore da vida: Charles Darwin (Ática, 2005), em O Muro Peter Sís continua surpreendendo. No Posfácio, revela aos leitores a preferência por desenhar sua infância, devido à dificuldade de contá-la “apenas com palavras” e informa: “qualquer semelhança com a história deste livro é intencional”. Como toda grande obra, o livro ultrapassa o aspecto declaradamente autobiográfico da narrativa, alçando voos sobretudo estéticos por terrenos históricos já bastante visitados, longe do didatismo estagnante que costuma prevalecer em publicações que abordam temas semelhantes. Intercalam-se escritas subjetivas em forma de diário e contextualizações objetivas, que abrangem o período de 1948 a 1989 – infância e adolescência do autor, na então, Tchekoslováquia. As ilustrações são o grande destaque, numa referência crítica ao realismo socialista, arte oficial, sobretudo entre as décadas de 1930 e 1950. O predomínio do preto e branco com detalhes em vermelho quebra-se intencionalmente em determinadas páginas duplas para exacerbar o vermelho relacionado ao domínio ideológico socialista, ou apresentar a raridade do multicolorido, referindo-se às dificuldades de “ultrapassar a Cortina de Ferro” e acessar a produção cultural que acontecia paralelamente. São inúmeras as referências às mais variadas linguagens artísticas presentes nos detalhes das ilustrações – Edvard Munch, Beatles, Allen Ginsberg, Harlem Globetrotters – um mosaico de imagens que falam por si e rompem, com maestria, o silêncio e a interdição que marcaram o período da Guerra Fria.