A publicação desta conferência tem como propósito apresentar ao público brasileiro um importante testemunho sobre a história recente do IBBY – International Board on Books for Young People – a mais importante instituição internacional do livro infantil. A autora é, sem duvida, uma das figuras centrais nas últimas décadas dessa instituição. Apresentar para entender um pouco quem são, o que move e como se movem as pessoas que, nos mais diferentes cantos do mundo, abraçam o mesmo compromisso de lutar pela difusão do livro infantil de qualidade, é um dos compromissos da Emília.

Os Editores

 

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O papel de Britt Isaksson

Estou aqui por causa de três mulheres admiráveis do IBBY: Emília Gallego, que não sei como faz tudo o que faz de maneira tão heróica; Patsy Aldana, que sei como faz tudo o que faz, mas sempre me surpreende de qualquer maneira; e Britt Isaksson, cuja generosidade devemos grande parte desse encontro. Britt era contagiante.

O Congresso do IBBY em Cartagena de Índias, em 2000, não teria ocorrido sem Britt Isaksson.  Claro está, com o trabalho de Silvia Castrillón e seu esforço junto à todas as sessões latino-americanas.  Mas tudo começou com Britt.

Em 1995, eu era presidenta do IBBY e estávamos discutindo no Comitê Executivo os possíveis locais para o Congresso de 2000 – sempre na Europa – quando Britt, representante dos países nórdicos, propôs: “Por que não Venezuela?”. Respondi que não sabia o que poderia acontecer na Venezuela no ano 2000, mas que conhecia alguém que poderia organizá-lo na Colômbia. Chamei Silvia Castrillón e o restante da história, muitos já conhecem. Creio que esse Congresso foi um momento decisivo para as sessões latino-americanas do IBBY e pela união e organização que demonstramos.

A unidade das sessões latino-americanas também fez a diferença na eleição de Ronald Jobe, do Canadá, como presidente do IBBY, em 1990, quando, pela primeira vez, foi eleito um presidente do continente americano e não europeu. Fui a segunda e a primeira latino-americana, e minha eleição no Congresso de Sevilha, em 1994, deveu-se, mais uma vez, ao apoio das sessões latino-americanas e, em grande parte, ao apoio dos países nórdicos, liderados por Britt. Ela sempre foi solidária conosco.

Conhecia Britt há mais de 25 anos, quando traduziu meu livro La calle es libre para Raben & Sjorgen e veio filmar a biblioteca La Urbina, no bairro de Petare, (Caracas) onde transcorre a história. Por conta dessa viagem, Britt convenceu o Clube Sueco de Livros para Crianças e o Instituto Sueco de Ajuda Internacional – SIDA – que apoiassem uma rede de bibliotecas em Petare. Fez um longo trabalho de convencimento dos editores nórdicos para que traduzissem livros latino-americanos.

Britt é inesquecível. Morreu em janeiro deste ano, depois de lutar contra essa terrível doença que é o câncer, luta que levou a cabo, com seu otimismo e humor de sempre, a ponto de, dias antes de morrer, fazer uma festa com champanhe e ostras para seus netos no hospital. Com os médicos não falava da doença, mas de livros. O último e-mail que recebi dela, dois meses antes de morrer, foi para dizer quanto estava feliz traduzindo Lom y los ludones.

Além de solidária, Britt foi generosa e aventureira. Generosa, sempre disposta a dar aos demais: meu filho Alex, sua mulher e seus filhos nunca vão esquecer o verão que passaram com ela, na casa que tinha em Málaga, onde, por tantos anos, se reuniu com o Clube de Livros Sueco para discutir os livros interessantes que encontravam. Esta blusa que estou usando foi ela que me deu durante as comemorações do prêmio Astrid Lindgren em Estocolmo, em 2007, simplesmente porque lhe disse que era bonita. E tinha sido especialmente desenhada para ela.

Aventureira sempre. A última vez que a vi no Congresso de Santiago de Compostela, já lutando contra o câncer, usava um chapéu divertido, explorava todos os lugares mais recônditos da cidade e dali saiu sozinha para explorar a costa da Galícia e comer deliciosos peixes e mariscos. Quando foi à Venezuela filmar La Urbina, apesar das previsões pessimistas de muitas pessoas do Banco do Livro, foi, sozinha, em um ônibus decrépito, conhecer La Guajira. Voltou cheia de histórias divertidas.

Não sei quantos países conheceu, mas foram muitos e nunca de maneira convencional. Ia onde o vento e sua vontade a levavam. Era uma excelente conselheira de viagens e a mim e à Patsy (Patrícia Aldana) fez um roteiro para conhecer a Namíbia depois do Congresso na África do Sul. Nos lembramos muito dela quando ficamos presas no deserto durante um entardecer. À medida que seus nove netos cresciam, levava-os em suas diferentes viagens: um presente de que nunca vão se esquecer.

 

mafalda

O IBBY nos anos 1980/1990

O IBBY dos anos 1980, quando conheci Britt, era um IBBY diferente em muitas coisas. Havia poucas sessões nacionais latino-americanas: o Brasil inaugurou uma das primeiras e o Banco do Livro formou a da Venezuela em 1980, graças à insistência dos brasileiros. Todos os Congressos até essa data tinham sido na Europa, menos o do Rio de Janeiro, em 1974.

Era a época  da Cortina de Ferro.

Foi no Congresso de Praga, na já extinta Checoslováquia, onde me elegeram membro do Comitê Executivo, foi lá a primeira vez que encontrei Britt. Não sei o que esperava, mas certamente não eram esses irreverentes e acolhedores checos, cheios de humor apesar das adversidades. O presidente era Knut Hauberg Tychssen, dinamarquês muito conservador, não pelo fato de ser da Dinamarca, mas porque era um administrador que não entendia nada de livros para crianças, e estava ali para cuidar das finanças, o que, aliás, fazia muito bem.

Seu encontro com os latino-americanos lhe mudou a vida. Primeiro, no seminário na Colômbia, organizado por Laura Sandroni, onde se deparou com o realismo fantástico, cotidiano de nossos países. Logo depois, na primeira feira do livro para crianças do México, organizada por Carmen García Moreno, quando o levamos ao mercado dos bruxos em Sonora, e lhe oferecemos uma coroa de alho para espantar vampiros. Horrorizou-se com tudo o que mostramos, até oferecermos um pó mágico para ganhar dinheiro: esse ele comprou. Veio nos ver no Congresso de Copenhagen em 2008, uma pessoa completamente diferente do dinamarquês tímido e conservador que conheci em Praga.

Infelizmente, todos os delegados das sessões nacionais, na época da Guerra Fria, tinham “acompanhantes” que os seguiam a todas as partes, para assegurar-se de que não infringiriam as rígidas regras de conduta estabelecidas. Quando fui um dos jurados da Bienal de Bratislava, meu “acompanhante” foi um jovem encantador, que ficou maravilhado com minhas meias de nylon.

Curiosamente as discussões dos jurados se faziam em inglês, mas como vinha de um país de língua espanhola não me deixavam falar inglês. Tinha que falar espanhol para que meu jovem “acompanhante” pudesse traduzir, o que tornava as discussões intermináveis. Ao final, ambos “jogamos a toalha” e me deixaram falar em inglês.

Minha chegada nessa cidade foi um impacto cultural ainda mais forte que o de Praga. Cheguei via Viena, que era o aeroporto mais próximo e, na minha ignorância, tomei um táxi que supostamente me levaria a Bratislava. O taxista me deixou na fronteira – visto que não tinha autorização para atravessar – e ali fiquei horas, sentada em cima de minha mala em frente ao imponente posto policial, esperando que abrissem a cancela, com uma fila enorme de caminhões atrás de mim. Esta imagem ficou para sempre em minha memória: fronteiras fechadas, sejam elas visíveis ou invisíveis.

Depois da queda do muro de Berlim, em meados dos anos 1990 presidi uma reunião dos países que compunham o antigo leste europeu, com suas novas fronteiras, organizadas por Peter Scneck em Viena. Mais uma vez, a questão do idioma me surpreendeu: todos os delegados falavam russo, mas se recusaram a falar essa língua na reunião – preferiram falar alemão ou inglês, até mesmo o incrível representante do Cazaquistão, que trouxe um baú cheio de comida perecível: carne seca em porções.

A guerra da Bósnia havia terminado recentemente, e, em uma manhã, vi o representante bósnio, caminhando descalço sobre a grama no jardim do hotel. Ele me disse: “É a primeira vez em muito tempo que posso sentir a grama embaixo dos meus pés”.

As reuniões do Comitê Executivo eram sempre feitas nos mesmos lugares, todos os anos: Bolonha em abril e Bratislava em setembro. Isso mudou em 1995, quando tivemos, a primeira reunião em um país fora da Europa: Venezuela. Na época até me acusaram de querer me desfazer de todo o Comitê quando os levamos para passear em um rio que ficava em um barranco. Creio que essa reunião abriu muitos horizontes. Desde então, a reunião de setembro acontece em diferentes países.


Os editores e o IBBY

Havia profissionais de todo tipo fazendo trabalhos muito bons em torno da leitura, mas para os editores, o IBBY parecia uma coisa irreal, que não lhes dizia respeito. Porém, são precisamente os editores que podem fazer os livros de qualidade que nossos países necessitam, além de poder aprender muito com uma organização como a do IBBY. E o inverso também, pois em geral, são também empresários, com os pés no chão, o que faz muito bem ao IBBY de vez em quando.

Felizmente, a partir dos anos 1990, mais e mais editores se somaram e já tivemos 4 presidentes editores: Miguel Azaola, da Espanha; Patsy Aldana, do Canadá; Carmen Diana Dearden, da Venezuela e, atualmente, Ahmad Redza Khairuddin, da Malásia; e um vice-presidente, também editor: Juan de Isasa, da Espanha. Nunca vimos tantos editores participantes como os que vi no extraordinário congresso de 2006, em Macau, na China. Mas, infelizmente, o IBBY ainda não pode influenciar os grandes conglomerados editoriais.

 

Alguns programas do IBBY

Apesar do pequeno escritório do IBBY (2 pessoas que faziam e fazem até hoje milagres), os fundos alcançavam para manter a rede – contatos importantes para as diferentes culturas que nos representam – porém era pouco para ajudar nas oficinas e atividades específicas nas diferentes sessões nacionais. Isso começou a mudar em meados dos anos 1990, quando Juan de Isasa ajudou a convencer três grandes editoras, Santillana, Anaya e SM a doar recursos para as ações do IBBY.

Com a criação, em 2004, da Fundação IBBY, separada do Comitê Executivo, cuja missão é conseguir fundos para os diversos programas, isto mudou substancialmente, porque liberou o Comitê Executivo desse trabalho. Graças à generosidade de Hideo Yamada, um apicultor do Japão, criou-se um fundo voltado para a promoção de oficinas para editores, autores, ilustradores e bibliotecários, em países com pouca produção local. Realizaram-se oficinas na Guatemala, Mongólia, Ruanda, Havana, Índia, Indonésia, Palestina, África do Sul, Uganda, Uruguai, Madagascar, Bolívia, Haiti, Malásia e Nepal.

O fundo para crianças vivendo com dificuldades é especialmente importante no contexto mundial atual de guerras e desastres naturais. O programa baseia-se na experiência de biblioterapia do Banco do Livro. Uma das primeiras doações foi da autora Katherine Paterson, o que foi fundamental para começar. Atualmente, desenvolve-se na Indonésia, Líbano, Gaza, Peru, Colômbia, Paquistão e está começando no Japão, depois da devastação provocada pelo tsunami.

 

Diversidades e identidades dentro do IBBY

Em todos os meus anos de IBBY presenciei muitas discussões e enfrentamentos. Uma vez, ouvi um membro da sessão alemã perguntar a um membro da sessão japonesa como podia aguentar voltar ao Japão depois de fazer mestrado em um “país civilizado” como a Alemanha. Em outra, escutei a delegada de Israel insultar a delegação palestina em uma Assembleia Geral, na Basileia. Vi membros do júri votando não pela excelência de um ilustrador ou autor, mas pelo país ou parte do mundo que representavam…

Mas, vi, também, a harmoniosa irmandade entre sessões com recursos e outras mais pobres; doações generosas de países como Estados Unidos e Japão, que financiam o prêmio de promoção de leitura IBBY – Asahi depois do Congresso de Tóquio, em 1986. Vi pessoas empenhadas em organizar seminários, conferências e congressos; lembro das intensas e frequentes reuniões das sessões latino-americanas para organizar o Congresso de Cartagena.  E Ambrosio Plaza, um dos organizadores do Congresso de Sevilha, preocupar-se com cada detalhe, sempre com um sorriso amável, incluindo mandar a comida que sobrava dos jantares e recepções aos asilos e às casas de acolhimento de pessoas desabrigadas.

Tenho boas recordações de muitos congressos, mas de alguns me lembro com especial carinho. Por exemplo o de Sevilha, em outubro 1994, foi um desses, não só porque me elegeram presidente, mas pela maneira com que nos trataram nessa cidade tão perto de nossa história e com esse humor tão irônico que alguns de nossos países herdaram. Meus amigos espanhóis, sabendo que era candidata à presidência, decidiram me ajudar, colocando minha conferência sobre diversidade cultural no lugar de honra para abrir o congresso. Entrei em pânico quando soube, falei com um dos organizadores – Emiliano Martínez, da Santillana que me tranquilizou dizendo: “Não fica preocupada , é  12 de outubro, feriado,  ninguém vai vir assistir.”

Não existia e-mail. Nos anos 1980 tudo se fazia por cartas, telefone ou fax, esses famosos aparatos híbridos do telegrama. Em 1983, tivemos a sessão nacional da Venezuela para fazer o cartaz para o dia internacional do livro infantil – pela primeira vez tínhamos uma sessão latino-americana, e, pela primeira vez se incorporou o espanhol às línguas do cartaz. Miguel Azaola, presidente do IBBY e Leena Maissen, secretária executiva, se desesperavam porque lutávamos contra o relógio e não terminávamos e tínhamos que mandá-lo. Tínhamos a arte, o texto, mas não estávamos satisfeitos ainda com o resultado em espanhol. Em inglês era Eat and read, things we need. Em espanhol Comer y leer, cosas que necesites  o que não soava muito bem. Passamos tardes inteiras dando-lhe voltas: comer y leer y después beber? Uma noite, atolados nos faxes que nos chegavam do IBBY, com fome e cansados,  e esperançosos de poder finalmente mandar de volta algo escandaloso para que nos deixassem em paz, escrevemos um fax para o Miguel: “Agora, temos. Indio comido, índio leído. Concordas?” Sua resposta não demorou: “Indio leído, blanco jodido”. Não concordo”.

Em meados dos anos 1990 começamos a considerar ter uma página na web, construção levou muito tempo. Atualmente, o IBBY é uma comunidade virtual e Liz Page, diretora executiva, responde a todos os e-mails com uma velocidade imensa ao mesmo tempo que administra tudo. Vi a rede do IBBY crescer e se expandir, sob a direção de Tayo Shima, Peter Schneck e Patsy Aldana, presidentes que me sucederam.

Já não me preocupa a dúvida que uma vez tive de que o mundo do ciberespaço, em que comunicação e informação são instantâneas, pudesse acabar com a utilidade de uma rede como a do IBBY. Foi o contrário. O IBBY é uma torre de Babel às avessas: muitas línguas, muitas culturas, que, ao final, se aproximam e se entendem; uma mini Nações Unidas, mas mais saborosa.

Em 1998, antes do Congresso de Nova Delhi, na Índia, a sessão dinamarquesa mandou uma carta a todas as outras sessões, propondo boicotar o Congresso, pois a Índia testava uma arma nuclear naquele momento. Respondi escrevendo que a Índia era também um país de muitas outras coisas, entre elas Gandhi e sua luta pela paz. As respostas que recebi,  configuram os diferentes pontos de vista que compõem o microcosmo que é o IBBY: uma perfeita fotografia do mundo em que vivemos. Os dinamarqueses mantiveram-se firmes em sua posição, seguidos pelos alemães; a sessão japonesa mandou uma carta longa, muito educada e comedida, que não me deixou claro se ao final estavam a favor ou contra. A seção chinesa enviou uma nota curtíssima dizendo que tinha 8 pessoas prontas para ir ao Congresso e perguntava o que eles fariam. E as seções latino americanas? Elas eram contra tudo: as bombas nucleares, o FMI, o Banco Mundial, as guerras, o aquecimento global, contra tudo! Somos assim, e é por isso que podemos ser tão poderosas quando nos juntamos.

Na verdade, a única coisa que me preocupa na América Latina, onde, ao contrário do chamado mundo desenvolvido, tem ainda tanta coisa por descobrir e fazer e tem tantos grupos fazendo bons trabalhos de promoção de livros e leitura, é que muitos desses grupos não fazem parte das seções nacionais.

Britt Isaksson acreditava na importância e na diversidade da leitura. Nas suas estantes ela nunca separou os livros para crianças dos livros para adultos que organizava em ordem alfabética. A importância de ambos era a mesma. E a diversidade de opiniões, fantasias, autores e ilustradores mais importante ainda para abrir janelas para diferentes mundos. Todos aqui acreditamos nisso, mas será que chegará  o dia em que possamos tirar o termo infantil dessa literatura para crianças? Este termo que é a marca de uma literatura menor que não lhe corresponde?

Britt tinha uma enorme força de viver com a qual abraçava a sua família, curtia a boa comida e bebida, a natureza em suas diversas formas e aos seus amigos do mundo todo. O melhor do IBBY são as pessoas, afinal em que outro lugar é possível jantar com a Imperatriz Michiko do Japão, discutir acaloradamente com uma colombiana e uma finlandesa com um bom vinho e muitas risadas? Ou ainda caminhar por uma La Habana cheia de surpresas e em camaradagem absoluta?

Pois como diz minha grande amiga Patsy Aldana:

Para mim IBBY é o lugar onde você consegue conhecer gente completamente fora de todos os sistemas odiosos do mundo. São inúmeros os exemplos de ações maravilhosas: Noushin Anshari, no Irã; o inglês Yusef, em Cabul; pessoas como Bruno, no México; Juan, na Espanha; Murti, na Indonésia; Tayo e Chieko, no Japão; Leena Maissen e Liz Page, no secretariado da Basileia, e poderia me estender durante horas. Sem falar de Emília Gallego, responsável por este Congresso [Cuba, 2011]. Onde mais, neste mundo, seria possível conhecer gente tão excêntrica e tão fantástica?

Concordo com ela. O melhor do IBBY sempre será sua gente: estranha, bizarra, idealista, diversa.

 


* Conferência apresentada no Congreso Internacional – Lectura 2011 – Para Leer el XXI , La Habana, Cuba, 25-29 de outubro de 2011.


TRADUÇÃO: THAIS ALBIERI /IMAGEM ANTHONY BROWNE PARA O CONGRESSO DO IBBY REALIZADO NA INGLATERRA.