Autora: Stela Barbieri
Ilustrador: Fernando Vilela
Páginas: 80
Formato: 26 x 22,5 cm
Editora: Cosac Naify

 

As letras que compõem o título – como se fosse a escrita árabe – já colocam o leitor em clima de Oriente. Livro aberto, a bela guarda lembra azulejos antigos, o que contribui para projetar o leitor ao imaginário misterioso que envolve o Oriente. Mas não para por aí: as duas páginas seguintes, também ajudam a situar o que vem pela frente: o “zoom” da capa apresenta as partes do barco que conduzirá Simbá por todas as aventuras.

As cores – azul, branco, vermelho, verde e preto – funcionam como “pano de fundo” de cada uma das narrativas do marujo. As cores das letras, a depender do fundo, também se alternam; em alguns casos, como o da letra azul em fundo verde ou vermelho pouco contrastantes, pode, sem tirar o brilhantismo da história, prejudicar uma leitura mais desenvolta por certa dificuldade de visualização. Porém, esses dois elementos combinados às ilustrações do miolo do livro, que seguem a mesma palheta de cores, feitas com carimbos de madeira e de borracha e com nanquim assoprado por Vilela, colaboram para criar as ideias de movimento, aventura, dinamismo, magia e assombro.
Essas aventuras recontadas por Stela Barbieri são resultado da leitura de mais de trinta versões do livro, que, vale lembrar, foi incorporado, no século XVIII, à história milenar As mil e uma noites. O cuidado da pesquisa feita pela autora fica evidente, também, porque se preservou o tom oral – Simbá, em tom de conversa, conta aos seus amigos todas as adversidades pelas quais passa em suas viagens no mar. Este recurso é muito utilizado nas narrativas que surgiram primeiro para serem ouvidas. Assim, pode-se ler tanto em voz alta quanto em silêncio.